Rumo ao país do Skarnaval!
por Ricardo Tibiu

Ao ouvir a música da Fast Food Orchestra dificilmente adivinha-se de onde eles são. Imagine um ska contagiante, cheio de groove e indo do ragga ao dancehall, resumindo: um ritmo extremamente tropical! Pois é, mas o sexteto é da República Tcheca, está na ativa desde 1994 e teve o ótimo álbum “Mangrooves... Get A Groove” lançado no Brasil pela Rebel Music. Alguns de seus membros já haviam nos visitado anteriormente como turistas, mas agora no final de janeiro eles chegam por aqui para uma turnê de cerca de 11 shows, começando no dia 26 em Curitiba (PR). No dia seguinte eles tocam no tradicional Skarnaval no Hangar 110, em São Paulo (SP), e o festival terá ainda o canadense Chris Murray junto aos paulistas do Firebug e ainda Sapo Banjo e Rusty Machine. Enquanto a Fast Food Orchestra não chega fomos conversar com o vocalista/trombonista Fido, que, entre outras coisas, nos falou sobre as referências brasileiras que sua banda tem e sua expectativa com relação à turnê pelo país do Skarnaval. Confira!

Como surgiu o convite de Robert “Bucket” Hingley para lançar “Mangrooves... Get A Groove” pela Megalith Records?
Nós estávamos organizando o show dos Toasters em Praga na época, e como quem não quer nada colocamos nosso CD na mala dele. Dizem que então ele foi jogado numa grande caixa cheia de CDs de bandas de ska do mundo todo, a caixa em questão largada no escritório dele, mas o disco foi encontrado pela filha dele, que o colocou pra tocar e ficou dançando... então Bucket pegou o telefone e nos ofereceu um contrato bastante lucrativo.

Qual a expectativa para os shows no Brasil?
Bom, primeiramente estamos incrivelmente ansiosos e também curiosos com a reação dos locais. Tocar diante de um público completamente novo é o maior desafio e muita adrenalina. Eu não chamaria exatamente de expectativa, mas na verdade muita alegria por esse grande sonho estar virando realidade.

Qual vocês acham que será a diferença entre a interação que vocês têm com o público aí com o que terão por aqui?
Difícil de dizer, porque nós aprendemos bem a nos comunicarmos com nosso público na República Checa e nos países vizinhos. Na verdade somos muito orgulhosos da interação global e damos valor a um público sensível, que consegue se comunicar conosco e compartilhar o momento. Eu suponho basicamente que o público brasileiro é mais vívido e tem menos inibições que o público europeu, então deve funcionar muito bem.

Aqui em São Paulo vocês tocarão no Skarnaval, um evento já tradicional para quem gosta de ska e quer fugir do Carnaval. Vocês como turistas têm o desejo de conferir o Carnaval de perto?
Nunca pensei nisso. Essa vai ser minha terceira visita ao Brasil e eu ainda não vi o Carnaval. Mas eu vi uma grande parte do país e conheci um grande número de pessoas muito interessantes, o que me fez amar o Brasil mais do que qualquer outro país. Por outro lado, eu não vejo o Brasil apenas como o país do futebol e do Carnaval, então acho que seria uma boa idéia finalmente ver o Carnaval e sentir a atmosfera incrível.

O show de São Paulo será ao lado do canadense Chris Murray, vocês conhecem o trabalho dele?
Nós sinceramente respeitamos muito o Chris. Sua expressão musical é muito real e ao mesmo tempo divertida. Eu o vi duas vezes, a primeira foi há muito tempo com RX Bandits e a segunda vez com Regatta 69, Dr. Ring Ding e King Django. Eu me diverti muito nas duas ocasiões e estou definitivamente ansioso para reencontrá-lo, agora na metade do caminho entre nossas casas.

Como é que uma banda da República Tcheca faz um som tão tropical?
Fico feliz de ver você dizendo isso, e não faço a mínima idéia. Eu definitivamente tenho uma grande relação com a América Latina, que significa também com a música, o que deve logicamente ser refletido no nosso trabalho, e eu fico muito feliz de você sentir essa vibração.

Como vocês escolhem o idioma na hora de compor?
Nós não escolhemos, a música escolhe sozinha em qual idioma quer ser cantada. Nossas músicas são a maioria em inglês, o que provavelmente tem origem no mundo em que vivemos, que é dominado pelo inglês como um esperanto não-oficial. Você não precisa falar como um nativo, mas é importante compartilhar seus sentimentos com os outros. Por outro lado, todos idiomas são muito bonitos e às vezes temos vontade de fazer algo de algum jeito diferente, deixar a música falar e decorá-la com um idioma, independentemente de quantas pessoas vão entender o que estamos cantando no fim das contas.

A letra de “Rodolpho” foi baseada numa viagem de vocês por aqui?
Sim, “Rodolpho” surgiu de uma visita que fiz ao Brasil, e na época até alcançou o segundo lugar no top ten da Radio 1.

O que vocês dizem no refrão? Porque soa tanto “nós três” quanto “no stress” (o que cabe bem se tratando de São Paulo).
Originalmente a letra diz “no stress”, mas depois de vermos os comentários no vídeo da música no YouTube, percebemos que “nós três” não seria uma má idéia no fim das contas! Por sinal, antes de escrever essa música, eu e um amigo viajamos junto com Rodolpho – três amigos – então “nós três” se encaixa bem na situação. A verdade é que originalmente Rodolpho dizia, algumas vezes por dia: “Filip, no stress”, e assim nasceu a canção.

Ainda sobre “Rodolpho”, ela teria alguma ligação com o pintor e artista plástico naïf Rodolpho Tamanini Netto que inclusive está na lista de agradecimentos do CD?
Sim, é exatamente esse Rodolpho, quem eu imensamente admiro em todos os sentidos, tanto artisticamente quanto como pessoa. Ele é também uma das poucas pessoas que me deu a oportunidade de conhecer o Brasil de um ponto de vista local, e não como um turista.

E qual é a ligação que vocês têm com Lise Forell?
Assim como Rodolpho e Demente (Rebel Music, Phobia, Juventude Maldita, Final Fight), Lise e sua família inteira são como uma família adotiva pra mim. Nossa relação não é só de amizade, mas também muito pessoal. Como meus avós moraram no Brasil, é uma ligação de longa data. O Brasil se tornou algo inevitável para mim graças a eles e agora é hora de o Brasil se tornar algo inevitável para o resto de nossa banda.

Pra encerrar, se a banda fosse um lanche ou até cadeia de fast food, qual seria?
Definitivamente um prédio de vários andares cheio de delícias onde pessoas de todas as partes do mundo pudessem comer de graça.

Links relacionados:
www.fastfoodorchestra.cz
www.myspace.com/fastfoodorchestra
www.rebelmusic.com.br
www.fotolog.com/skarnaval
www.megalithrecords.com

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